Novembro 19, 2009

A/C 2010

E aí, quais são as novidades? Vai se fazer de misterioso mais uma vez? Ando curioso para saber o que você pretende comigo.

Não quero parecer ansioso, mas estou contando os dias para a sua chegada. Acho até que vou colocar uma roupa nova para esperar você na entrada; faço questão de que me encontre bonito.

Para começarmos com o pé direito, como você gosta, vou comprar uma garrafa de champanhe; brindaremos à nossa saúde no momento em que cruzarmos os olhos. Feliz - é assim que o quero, Ano Novo, e farei tudo ao meu alcance para que isso seja possível. Se dependesse de mim, sua estadia entre nós seria uma alegria após a outra. Receio, porém, que de mim pouco dependa.

Por exemplo, sendo você ano de eleições, haveremos de manter contato com as duas piores coisas que existem no nosso país: os políticos e os horários políticos obrigatórios. É realmente uma pena que você e o Ano Velho não tenham chance de se encontrar, pois ele, que está de saída, poderia lhe contar como ficou marcado para sempre pela corja da corja que aqui ele conheceu - ou há gente pior que a que rouba de hospitais públicos e depois se faz de vítima nos palanques?

Pois bem, fora essas e mais uma meia dúzia de prováveis tragédias mundiais, não prevejo outros problemas no decorrer de sua presença. Na verdade, com a quantidade de festejos e comemorações com que o enchem aqui no Brasil, você passa entre nós quase sem ser percebido. Quando começarmos a nos restabelecer das festas da sua chegada, já estaremos no Carnaval. Depois, vem o feriado da Semana Santa, e aí são as férias de julho, e, de repente, você já está arrumando as malas para ir embora.

Falando nisso: gostaria de dizer que eu não tenho expectativas em relação ao que você vai me trazer, mas tenho. Principalmente porque você sabe tudo de que eu preciso e tem espaço suficiente para que várias dessas coisas caiba

Sabe também que eu não sou muito fã de surpresas, então não se esforce demais para me surpreender. Se por acaso me trouxer algumas más notícias, tudo bem, mas tente não ser abrupto. Sei que vários problemas estão fora do seu alcance; portanto, prometo não me aborrecer caso algo não venha como eu esperava.

Traga o que trouxer - fique tranqüilo -, você será recebido com foguetes. Pois sua chegada, sempre tão pontual e garantida, com suas promessas, sempre tão amplas e verdadeiras, renova, em todos nós, a esperança que vai-se embora, um pouco, a cada dia. E, ai, ai, ai, já está chegando a hora. Minhas simpatias,

Renato Vicentt*

P.S.: caso venha com muito dinheiro no bolso, conforme espero, cuidado com os assaltos.

Outubro 28, 2009

A/C Pequeno Princípe - B612


Nossa, há quanto tempo... Como vão as coisas no seu pequeno planeta? Aqui, no meu, andam imensamente estranhas – muito baobá para pouca flor, se é que você entende meus simbolismos...

Quem sempre fala de você é aquele menino pequeno e mimado que vivia chorando por sua causa, lembra? Ele me contou da sua amizade com a Raposa.

Príncipe, como você é meu amigo de infância, não posso deixar de alertá-lo. Cuidado com a Raposa. Ela parece uma coisa, mas é outra. Faz-se de fofa e é uma cobra, uma chantagista.

Quando a conheci, ela disse que não podia conversar comigo, pois não sabia quem eu era. “A gente só conhece bem as coisas que cativou”, ela falou, toda insinuante. Então me apaixonei por ela também... sentia-me cativado por seu discurso e a todos espalhei essa mentira...
Respondi que, se nós dois nos cativássemos, ela ficaria triste quando eu fosse embora. Foi quando saquei que ela queria ter um cacho comigo, pois a Raposa pegou no meu cabelo e disse que tudo bem, porque ela olharia os campos de trigo e se lembraria de mim...

Marcamos um encontro para o dia seguinte, às 4. E ela me pediu para chegar às 4 em ponto, dessa forma ela ficaria feliz desde as 3 somente por esperar o momento do nosso encontro. Achei estranho, mas pensei que fosse charme. Não era.
Cheguei 15 minutos atrasado e a Raposa surtou. Falou que nós somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. E perguntou para mim, olhando diretamente nos meus olhos, se eu tinha consciência de que “perder tempo” com o outro é o que faz essa história importante...

god...Percebeu o tom de chantagem?
Ela joga na cara tudo o que faz em nome do outro.
Ela deseja afeto, mas o quer como uma responsabilidade de mão única. Porém, também somos responsáveis quando nos deixamos cativar – relacionamentos são vias de mão dupla.

A Raposa exige a certeza de um compromisso com hora marcada, impondo regras à troca afetiva. As regras dela, claro, já que ela quer todo o afeto a favor de seu bem-estar. Chega a ponto de dizer que será feliz porque você virá. Como se a felicidade fosse algo condicionado ao outro, à espera do outro, ao encontro com o outro...

Veja que coisa infantil. São as crianças que precisam de horários certinhos e de associar suas emoções às pessoas com quem se relacionam. Sentindo prazer ou desprazer diante da ausência ou presença da mãe ou do pai ou de quem quer que seja. Na criança, ainda não há um universo interior, entendeu?
Quando nós crescemos, temos de conseguir ver o mundo através das próprias perspectivas. Enxergar a beleza de um trigal sem nos lembrar de ninguém.

Sabe Pequeno... aprendi muitas coisas com você, e começo a entender outras tantas também... não fostes cruel ao partir deixando essa rapoza por aqui... entendo porque partistes sem dó, indo de encontro ao que era sua missão.
Há vezes que nos apaixonamos e... seguimos enfrente.

A Raposa, como uma criança assustada, a mesma que eu era, quer que aqueles que a amam estejam com ela na hora em que ela deseja. Achando que eles são “responsáveis” pela felicidade dela... Ou seja, o outro lhe deve algo por tê-la cativado.

Desde esse dia, não falo mais com ela. E aconselho você a fazer o mesmo, pequeno princípe. Ela não é flor que se cheire.

Saudades distantes,


RiNATu

Outubro 20, 2009

Você não

Não. Uhm... não. Eu disse não. Você não, já disse. Faça o favor mudar de endereço e seguir em frente e ir pra outro site.
Estou esperando. Não adianta ficar aí quietinho, que eu sei que você continua lendo. Por gentileza, não insista.

Ih, já vi que você é teimoso. Mas eu também sou e gostaria que você não lesse esta carta. Queira parar, então.


Olha, você está prejudicando todas as outras pessoas do mundo com esse seu comportamento infantil. Eu tenho um assunto importante para tratar com elas e não vou escrever mais nada enquanto você estiver lendo.

Falando sério, não vou.

Você está a fim de me irritar, não é? Mas não vai conseguir.
Escuta aqui: vai parar de ler ou não vai?!

Gente, nunca vi uma pessoa tão cabeça-dura. Só que não vai adiantar. Eu peço mais uma vez que você passe para a próxima página. Eu não estou brincando. Não quero que você leia nem mais uma linha.


Qual o seu problema, hein? Quer parar com isso? Olha, estou te pedindo gentilmente. Chega, tá? Chega. Tudo bem, se você ler a próxima linha, juro que vou ficar repetindo a mesma letra até você desistir.

Eu avisei.

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Nossa, você não desiste mesmo, hein? Muda logo de página, tem um monte de coisas interessantes no resto da revista. Tá, se é assim que você quer, eu não vou escrever mais uma palavra enquanto você estiver aí.

...
Por que você é assim, hein? Custa fazer o que eu estou te pedindo? Última chance: ou pára de ler ou vai ter.

Só para a sua informação: o nosso Código Penal, em seu artigo 151, considera crime de violação de correspondência "devassar indevidamente o conteúdo de uma carta dirigida a outrem". E a pena é detenção de um a seis meses. Tem certeza de que vai continuar lendo? Lembre-se que as suas digitais estão impressas neste mouse.

Já chega, vou ligar para o meu advogado.

Ok, vamos chegar a um acordo: você lê só mais uma linha e depois pára, tá?

Num ninho de mafagafos, havia cinco mafagafinhos. Pronto, agora pára. Pára!


É guerra, é? Então, se você ler mais uma linhazinha, eu vou espalhar para todo mundo uma coisa altamente comprometedora que eu sei sobre você. Altamente comprometedora.


Tudo bem, foi você que pediu. Lá vai:...


Tá, eu estava blefando, não farei nisso no meu blog. Mas posso espalhar entre meus amigos. Conto todos os seus podres. A menos que você pare de ler imediatamente.


Eu disse imediatamente. Tsk-tsk-tsk. É lamentável essa sua atitude. La-men-tá-vel.


Ah, quer saber? Quer continuar a ler, continua.
Essa porcaria de post já está terminando mesmo.

RiNATu
PS: Não acredito - você ainda está aí?

Outubro 16, 2009

Meio Démodé

Renato Russo citou certa vez com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parei pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Baladas recheadas de garotos lindos, com roupas cada vez mais apertadas e transparentes, danças e poses em closes urológicos, chegam sozinhos. E saem sozinhos. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida? Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma no Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, que fuja comigo para um lugar desconhecido, que sejamos conhecidos um para o outro, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Tão simples quanto um Eu quero & Eu também. Sem tantas ressalvas.
Antes idiota que infeliz!


RiNATu

Amar é para perdedores, assim como vc e eu.